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Das águas, a sabedoria e o sustento

Publicação: domingo, 21 de junho de 2009 – jornal Diário Popular

Antropólogos voltam os olhos para a vida em colônias de pescadores como a Z-3; as dificuldades, a linguagem e os conflitos são observados a partir da própria realidade cotidiana dos trabalhadores

Há 59 anos, seu Antonio Tomás Ourique, hoje com 72 anos, começava a aprender um ofício que iria determinar toda sua vida e sua relação com a natureza. Morador da Colônia Z-3, com o pai aprendeu a ser pescador e da água sempre tirou o sustento de toda família. “Acho que a gente já nasce com o destino para a pescaria.” Mais que uma profissão, uma identidade, compartilhada com familiares, amigos e vizinhos.

O universo de pessoas como seu Antonio foi a temática central do seminário Pescadores e pescarias: saberes, significados e conflitos, que ocorreu na Universidade Federal de Pelotas por iniciativa do Departamento de História e Antropologia. No encontro que reuniu pesquisadores e alunos na Faculdade de Museologia, o oceanógrafo Gustavo Moura falou sobre conflitos territoriais e resistência no estuário da Lagoa dos Patos.

Já o antropólogo Gianpaolo Adomilli falou sobre saber tradicional, modernização e territorialidade na pesca embarcada, focando o caso dos pescadores de São José do Norte, pesquisado em seu doutorado. “As populações de pescadores mantêm comunicação, em maior ou menor grau. O que ocorre no mar e na lagoa é parecido”, comenta. E por isso a discussão pode se estender à colônia de Pelotas. Por mais presente o avanço tecnológico e por mais fortes que sejam os impactos socioambientais da modernidade, a tradição permanece e a profissão ainda passa de pai para filho, de irmão para irmão.

Destino e amor

Gosto ainda maior pela pesca tem o filho adotivo de Ourique, Tiago Campos, de 23 anos. Desde os 12 o rapaz segue a profissão da família e a vontade inclusive o fez abandonar o Ensino Médio. O deslocamento diário até a sede o principal entrave na conciliação de trabalho e estudo. “Talvez tivesse continuado a estudar se fosse aqui na Z-3. No centro, precisa de mais coisas, a passagem, uma roupa melhor, o dinheiro para um lanche.”

Mesmo assim, nem por isso o saber de Tiago em mais de dez anos de atividade deveria ser desvalorizado, afirma o antropólogo. O conhecimento e a memória das comunidades pesqueiras, como a de São José do Norte pesquisada por Adomilli, sobre a costa, a Lagoa dos Patos e o oceano, tanto pelo aspecto natural quanto o cultural, é rico e não deveria ser ignorado ou perdido. “Se isso ocorre, no futuro gastam milhões para pesquisar e fazer um levantamento sobre a memória deles.” Fonte viva e de fácil acesso hoje.

Conflitos e invisibilidade

Apesar do conjunto de saberes e memórias, Adomilli percebeu, em sua pesquisa, uma certa invisibilidade do grupo para a sociedade e o poder público. “Falta um encontro. O saber científico não é superior ao deles, mas existem impasses históricos e posturas que contribuem para a marginalização dos grupos.” A falta de um diálogo que leve em consideração os conhecimentos de quem vive a pesca na prática é sentida pelos pescadores nas determinações oficiais.

Ourique exemplifica isso na escolha de um único tipo de malha para a pesca em toda a lagoa. “No Fórum da Lagoa dos Patos decidiram que seria a malha 50, mas essa só pega peixes maiores. Aqui para nós, se não for a 45, não conseguimos pegar.” Para ele, cada local deveria ter especificações próprias do que é permitido e o que não, bem como a adequeação dessas normas conforme a safra. “Duarante o defeso, o liguado e o peixe-rei são liberados, mas a malha é proíbida. Vou pescar com o quê? Com caniço?” brinca.

É o trabalho de normatização genérica para abarcar realidades tão diversas identificado por Adomilli. “O alto mar, o centro da Lagoa e a baía exigem distintos saberes. O poder público não vê a diferenciação e elabora normas que não se encaixam para todos.” O resultado, para ele, são pescadores engessados para acompanhar o ritmo da natureza.

Os impasses estão, também, dentro das comunidades pesqueiras. “A escassez de espaço pesqueiro tem impactos na comunidade”, avalia o antropólogo. Para Ourique, falta concordância. “Em terra não existe união. No mar, pode ser meu inimigo, mas eu não vou deixar com um motor estragado, sou obrigado a rebocá-lo. Agora, aqui, é cada um por si e Deus por todos. Niguém concorda com niguém.” Conforme o trabalhador, o pensamento individualista dificulta até mesmo reivindicações frente a orgãos como o Ibama e prejudica toda a categoria. Mas no mar ou na Lagoa, eles sabem que nunca estão sozinhos.

Obras no Dom Antônio Zattera vão até 10 de maio

Publicação: terça-feira, 28 de abril de 2009 – jornal Diário Popular

Atraso no cronograma é atribuído às chuvas de janeiro e aos ajustes que precisam ser feitos com o andamento do trabalho dos operários no parque

A obra atrasou, mas a revitalização do parque Dom Antônio Zattera deve ser entregue à comunidade até o dia 10 de maio. A gerência da construção afirma que faltam detalhes para que seja finalizada, como a colocação dos últimos bancos, a construção da fonte central e a manutenção dos canteiros. A prorrogação do prazo é atribuída às chuvas de janeiro e aos acertos necessários no decorrer trabalho.

“É um atraso normal para uma obra desse porte”, considera a gerente do contrato, a arquiteta Patrícia Nickhorn e Silva. E ela afirma que o prazo é o mesmo para as obras da rua Lobo da Costa, em frente ao Theatro Guarany. Além das construções de calçadas, espaços de lazer e a colocação do aparato hidráulico e elétrico, toda a jardinagem do perímetro será finalizada em menos de 15 dias.

Mas antes mesmo da inauguração oficial a população já se apropria das novas instalações e até a chama de “pequena Redenção”, em alusão ao Parque Farroupilha, em Porto Alegre. A moradora do bairro Cruzeiro do Sul, Maria José Moreira, e a filha Emilli já aproveitam o espaço reformado para relaxar à tarde. “Venho para ficar em paz. Está ficando lindo, muito harmônico”, elogia Maria José.

A rio-grandina Indaia Dutra também aproveita o espaço aberto quando vem visitar o afilhado, mas sente falta de brinquedos apropriados à primeira infância na pracinha recém-construída. “Não conheço o projeto, mas espero que venha contemplar as diferentes idades, com balanços para as várias faixas etárias e tudo mais”.

Pneus atrapalham brincadeira

Por falta de especificação no projeto original, segundo o secretário de Urbanismo, Luciano Oleiro, pneus inteiros foram escolhidos para os assentos dos balanços, o que vem dificultando as brincadeiras dos menores. Ao tomar conhecimento do problema, o secretário se comprometeu em discutir junto à Secretaria de Serviços Urbanos a substituição do material. “É bom que essas coisas que a comunidade nota com o uso cheguem para gente. Queremos criar soluções, não problemas”.

Popularização da Internet passa pela lan house

Publicação: edição conjunta de domingo e segunda-feira, 12 e 13 de abril de 2009 – jornal Diário Popular

Mais rápida e em expansão, Internet banda larga ainda é realidade de poucos. Para a maioria, os locais pagos são a principal alternativa

Relatórios sobre a Internet no Brasil divulgados no final de março mostram crescimento do acesso a banda larga em 2008, na contramão da crise mundial. O Barômetro da Cisco, pesquisa encomendada pela empresa de tecnologia de mesmo nome, averiguou um aumento de 46% no número de conexões em todo o País. Para o Ibope Nielsen Online, o crescimento do acesso à rede por banda larga, medido pelo número de usuários ativos e não apenas pelo de pontos de conexão, foi de 24%, entre fevereiro de 2008 e o mesmo mês de 2009. Mas estes números nem sempre representam o contato que o brasileiro tem com a Internet. Mesmo em expansão, a conexão por banda larga ainda é luxo e as projeções são baixas e apontam que apenas entre 5,4% (Barômetro da Cisco) e 11,2% (Ibope Nielsen Online) dos brasileiros podem navegar com rapidez.

O acesso à Internet banda larga ainda não está disponível para a maioria e a professora da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Regina Trilho Otero, nota isso até mesmo dentro da sala de aula. Pelo menos metade de seus alunos não têm Internet em casa. A saída para eles é a de muitos brasileiros: a lan house, um estabelecimento onde se paga pelo uso do computador e da Internet conforme o tempo utilizado, que chega a custar R$ 1,00 a hora de conexão. É nela que a verdeira inclusão digital está acontecendo, segundo a especialista. “E dá gosto de ver por que quem não tem o computador 100% do tempo faz um uso ávido quando pode.”
Infraestrutura é a principal barreira

O crescimento que se vê hoje poderia ser muito maior na avaliação do analista de mídia do Ibope Nielsen Online, José Calazans, que vê na baixa penetração da Internet no País uma oportunidade de crescimento rápido. “A principal barreira é a infraestrutura de banda larga. Muitas pessoas de outras regiões (fora de São Paulo), mesmo que queiram e tenham renda suficiente para bancar o custo de uma conexão, não conseguem adquirir porque o serviço ainda não está disponível.” A falta de oferta também está relacionada à renda, porque, como explica Calazans, nas regiões das cidades em que o serviço é oferecido a renda média da população é mais alta.

Preço alto e falta de opções para contratar a conexão para a residência lota lan houses de bairro como a de Edson Mesquita, no Navegantes. “Aqui só tem uma operadora e sem a concorrência é preciso assinar uma franquia de telefone alta e pagar a banda larga, que é cara. É mais fácil dar de R$ 1,00 em um R$ 1,00 para o teu filho ir na lan house.” E o foco do negócio de Edson foge do estereótipo de casa de jogos online. O público dele procura um lugar tranquilo para estudar, pesquisar e conversar na Internet. “É um bairro de poder aquisitivo baixo e a Internet é uma realidade atual. A lan house faz parte dessa realidade.”

Regina, que concorda com a importância desses espaços públicos de acesso, ressalta a importância que o brasileiro de baixa renda dá ao uso da Internet. “Ela tem um significado muito forte, é vista como uma oportunidade de mudança de vida.”

Boa parte do público de Edson tem uma particularidade: possui computador em casa, mas não a Internet rápida, como Jackeline Amaral, que desistiu da conexão a rádio que mantém e vai direto utilizar as máquinas de Edson. Apesar de todos os computadores ocupados, Jackeline esperava ansiosa pela conexão enquanto conversava do o Diário Popular. A visita daquele dia era para saber o resultado de um concurso feito em Santa Catarina. A resposta da mudança de vida viria pela rede.

Tecnologia ajuda a disseminar o sinal móvel

Estender a rede física da Internet fixa é um problema e impede que muita gente possa conectar. Entretanto, a tecnologia móvel de conexão banda larga que chegou ao País no ano passado já se mostra como uma alternativa para as áreas sem cobertura por cabo ou ADSL. As operadoras não divulgam números desse crescimento – de planos fixos ou móveis -, mas tanto o analista de mídia quanto a pesquisadora apostam na ampliação do número de usuários a partir da tecnologia 3G, por exemplo.

Oferecida pelas operadoras de celular, a conexão que usa um modem pouco maior que um pen drive quando ligada ao computador pode ser acessada de qualquer ponto dentro da área de cobertura da rede. Por enquanto, o acesso ainda é caro, mas há uma tendência de popularização.

Um bem para a casa

Mesmo com as dificuldades, o brasileiro vê a Internet como um bem a ser mantido dentro de casa e isso é garantia de crescimento contínuo, na análise de Calazans. E é assim que vê a sua conexão o estudante de Jornalismo Diego Balinhas. Natural de Rio Grande, com 13 anos já usava acesso discado e, para se mudar para o Cassino, primeiro a Internet teve de ser instalada lá. Há nove meses morando em Pelotas, Diego tem hoje um plano de dez megabytes por segundo (mbps) – um dos mais rápidos disponíveis na cidade, que não passam de 20 mbps, e muito mais veloz que as populares velocidades entre 500 kbps e um mbps.

Por enquanto os dez mbps são uma “degustação” oferecida pela operadora desde o início de março e Diego paga pouco mais de um quinto do valor que o link realmente custa. Promoção conquistada depois de horas de negociação com o teleatendimento. Valeu a pena. Com essa conexão, em pouco mais de dez minutos ele baixa um filme a partir de sistemas de compartilhamento de arquivos. “A navegação é quase instantânea. Só demora o que depende dos outros, como quando o servidor de uma página está sobrecarregado. Em dia de listão, por exemplo, nem a melhor conexão consegue entrar no site da universidade.”

Essa quase instantaneidade é extremamente útil ao aprendizado, afirma Regina Trilho Otero. Segue o ritmo do pensamento e a pessoa não se dispersa. "Com o computador, quando se pensa em algo é só seguir o link do pensamento.” Por isso a ampliação dos pontos de acesso a banda larga – e consequentemente a expansão do número de pessoas que usam cada conexão – é tão importante. Enquanto não chega à todas as residências, os brasileiros com seu jeitinho tentam fazer parte da rede mundial de computadores. Para os especialistas, é uma questão de tempo para que os 62,3 milhões que têm acesso à Internet em algum ambiente se multipliquem.

No caminho da extinção

Publicação: sexta-feira, 20 de março de 2009 – jornal Diário Popular

Substituída pela moeda, nota de R$1,00 transforma-se em peça de colecionador

Ver uma cédula de R$ 1,00 é cena cada vez mais rara desde que o Banco Central determinou, no iníco de 2006, o fim da fabricação dessas notas e a susbtituição gradual por moedas. O motivo é o custo e a praticidade, já que a vida útil de uma nota de alta circulação é bem menor que a de uma moeda. Por enquanto, a maior dificuldade provocada pela escassez do "beija-flor" tem sido no momento de efetuar depósitos bancários nos caixas eletrônicos. Os equipamentos não aceitam níqueis, o que atrasa aqueles que não querem perder tempo em bancos.

Na lotérica Agência Esporte, na rua Sete de Setembro, pela proximidade com a rede bancária é comum o pedido de troca de uma moeda por uma nota, mas atender o favor é difícil. “Se chegam a nós cinco notas de R$ 1,00 por dia é muito”, comenta Glaucia Barbosa, ao mostrar o caixa sem qualquer das verdinhas. As poucas estão em péssimo estado e são encaminhadas para o recolhimento.

Apesar de deteriorada pelo uso, a cédula mais baixa do real ainda é válida e deve ser aceita normalmente, já que a substituição foi programada para que o recolhimento ocorresse de forma natural, no ritmo em que a vida útil das notas chegasse ao fim. Conforme as notas rabiscadas, rasgadas ou coladas se inviabilizam para a circulação, são substituídas pelo Banco Central por moedas.

O Banco do Brasil, responsável pela distribuição do dinheiro no País, afirma por meio de sua assessoria que a única solução para os depósitos que precisam de R$ 1,00 para alcançar o valor exato é serem feitos diretamente no caixa. Está nos planos da rede bancária, em um futuro ainda distante, caixas eletrônicos que aceitem moedas e, quem sabe, até forneçam troco em depósitos. Enquanto isso, entrar na fila é a única solução.

Quando o problema mora na porta ao lado

Publicação: domingo, 15 de março de 2009 – jornal Diário Popular

As relações entre vizinhos nem sempre se apresentam amigáveis; em determinadas ocasiões as desavenças só são resolvidas na justiça

Barulho fora de hora, som alto, algazarra de crianças, vozes altas em brigas e namoros, batidas de saltos, latidos, miados, mal cheiro de animais de estimação, desrespeito ao espaço de estacionamento determinado para cada um, festas até altas horas no meio da semana. Nem sempre quem vive ao lado respeita as boas regras de convivência, e não se tem escolha: vizinho pode ser alguém passageiro ou um companheiro para toda a vida, e morar ao lado, em frente, em baixo ou em cima da casa de alguém pode se tornar um verdadeiro inferno. Quem passa por isso sabe bem. A receita para não cair nem provocar essa situação parece ser ter bom senso e respeito ao próximo, por mais difícil que isso pareça ser fazê-lo sem ferir a própria individualidade.

As desavenças entre vizinhos podem ficar tão sérias que os envolvidos preferem não se identificar para evitar represálias e agressões. No Fragata, um grupo de vizinhos há alguns anos se incomoda com uma boa ação que, para eles, passou dos limites e desde 2004 tornou a situação insuportável. Uma das vizinhas tem em casa uma expressiva quantidade de cachorros que foram recolhidos da rua – segundo os vizinhos incomodados, são pelo menos 70 animais, que a dona não confirma nem desmente –, mas o mau cheiro, as doenças, os latidos incessantes e os ataques a mordidas incomodam tanto os moradores da rua que a briga já chegou ao Ministério Público estadual. “Acho bonito defender os animais, mas isso está de mais”, reclama uma das vizinhas.

Entre os problemas já enfrentados na rua que tinha tudo para ser pacata, os incomodados relatam e mostram atestados médicos de uma infestação de sarna entre várias crianças e adultos e de mordidas, além de reclamarem do lixo gerado pelas fezes e os alimentos dos animais. Questionados sobre haverem tentado conversar antes de acionarem judicialmente a vizinha, eles são unânimes: “com ela não há diálogo”.

A responsável pelos animais afirma que se sente no direito de cuidar dos cachorros e questiona a idoneidade da vizinhança para fazer as reclamações, mas prefere não comentar nenhuma das acusações. O caso ainda tramita na justiça.

Os incomodados que se mudem?

Nas imobiliárias, chovem reclamações em sua maioria contra inquilinos, e grande parte por barulho. Quem não se emenda, além de receber advertências e multas, pode acabar despejado. A imobiliária Fuhro Souto, que também administra condomínios, explica que muitas vezes diante de tantas reclamações a única alternativa é o proprietário do imóvel pedir a desocupação. Chegam às administradoras de condomínios em Pelotas uma média de três reclamações por semana contra os atos de quem mora sob o mesmo telhado, todos em busca de uma mediação que devolva a paz, especialmente nos horários de descanso.

E quando o vizinho-proprietário é a dor de cabeça do vizinho-inquilino? “Nós temos um caso em que um inquilino reclama do barulho das crianças do vizinho, proprietário do apartamento em que mora, brincando à meia-noite ou às 2 da manhã. Ele está tão incomodado que quer sair do imóvel”, comenta a auxiliar administrativa dos condomínios da imobiliária, Carmen Viegas.

O problema, nesses casos, pode estar na rotatividade entre os inquilinos do prédio, um motivo a mais para que o vizinho seja tolerante com o próprio barulho e não mude essa realidade. Mas ter de abandonar a própria casa é uma medida extrema; o ideal seria chegar a um consenso. “Para viver em condomínio é necessário haver flexibilidade, porque praticamente se mora junto de todo mundo. O teu comportamento afeta o outro.”

Na promotoria de justiça criminal de Pelotas, ligada ao Ministério Público Estadual, chegaram em fevereiro aproximadamente 1.900 termos circunstanciados (TCs) relacionadas a brigas entre vizinhos, segundo estimativas, o que representa 40% do volume total de TCs no mês. A maioria está relacionada à perturbação do sossego alheio e perturbação da tranquilidade; a primeira é feita sem a intenção de incomodar o vizinho, já a segunda é uma ação intencional. E isso vai do som alto no meio da noite a coisas jogadas propositalmente no pátio ao lado.

Os responsáveis por mediar as disputas não estão livres de sofrer com seus próprios vizinhos. Na imobiliária Raphael, toda semana o telhado precisa de reparos por conta de garrafas atiradas do prédio contíguo. Fernando Vasconcelos relata que no início achavam que os projéteis eram uma forma de represália contra o barulho de um cão de guarda que mantinham, mas depois de retirado o cachorro, os lançamentos continuaram. “Já tentamos de tudo, até colocar uma câmera de segurança para identificar quem joga”. Sem sucesso nas negociações, a disputa também acabou na justiça.

Mas há quem prefira o diálogo com o colega de prédio. Uma moradora de um condomínio pequeno, que prefere não se identificar, resolveu conversar com o casal de vizinhos barulhentos antes de procurar a administradora do condomínio. E deu certo. “Eu parei eles no corredor e comentei que as brigas e o namoro estavam muito altos. Eles ficaram um pouco constrangidos, acharam um certo exagero, mas prometeram melhorar.”

Para fazer isso, foi preciso coragem de encarar a pessoa e tentar acabar com o incômodo. A maior parte dos condôminos prefere a intermediação da administradora do condomínio para evitar atritos, afinal, o convívio diário irá continuar, agradando ou não. “A empresa tem de ter a sensibilidade de ouvir as partes, mas a um mesmo tempo ser firme para resolver”, pondera Carmen.

Airbag poderá ser obrigatório até 2014

Publicação: domingo, 1º de março de 2009 - jornal Diário Popular

Câmara dos Deputados aprovou emenda ao Código Brasileiro de Trânsito que toma o dispositivo obrigatório para o condutor e passageiro dianteiro em todos os veículos do País

Um acidente de trânsito é um drama não só para as vítimas e suas famílias, mas também para o sistema de saúde do País. Com cada pessoa hospitalizada por conta de acidentes nas ruas e estradas são gastos em torno de R$ 14 mil. Para diminuir o número de mortes e lesões, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente uma emenda ao Código Brasileiro de Trânsito que torna obrigatório o airbag para o condutor e o passageiro dianteiro em todos os carros em uso no Brasil a partir de 2014. Especialistas veem a medida de forma positiva.

A proposta, que teve origem no Senado, tramita desde 2004, e agora aguarda apenas a sanção do presidente Lula. Atualmente mais comum em carros importados ou de luxo, o airbag passará a ser item de série até mesmo para carros populares. Hoje poucos são os modelos 1.0 que oferecem o opcional; quando oferecem, o investimento fica em torno de R$3 mil, já que junto ao dispositivo de proteção um pacote de conforto e funcionalidade precisa ser adquirido. Se sancionada pela presidência, a medida passará a valer para os veículos fabricados a partir de 2014, no caso de o projeto de fabricação já existir. No caso de novos projetos automotivos, o airbag deve estar presente até 2012.

“No Brasil são 42 mil mortes por ano em acidentes de trânsito, e sobre as lesões não se têm a estatística. Essa medida vem em favor da vida”, avalia o instrutor de transporte e sargento da Brigada Militar, Gilson Caldas. Para ele, o item é de suma importância, apesar de não estar entre as prioridades na compra de um veículo. “Muitas vezes, pelo valor, se prefere ter um ar-condicionado a um airbag.”

O professor da Universidade Federal de Pelotas e médico traumatologista, José Raymundo, está entre os que já confiam no airbag, e não compra carro sem a proteção. “É como o seguro. Se espera não precisar usar, mas é necessário.” O médico afirma que, depois do cinto de segurança, esse é o item mais importante para garantir a sobrevida de quem se envolve em um acidente e é recomendado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Mesmo em batidas ou acidentes menos graves, em que não há morte, a face, o crânio e o tórax estão expostos a lesões e traumas. “E por menor que seja o trauma, a pessoa passará pelo menos um mês envolvida com a recuperação, quando não ficam sequelas irreversíveis.” Raymundo entende ser financeira e não cultural a resistência do brasileiro em adquirir o opcional de fábrica. “Mas ele é muito importante. A salvação pode estar aí.”

O impacto do equipamento

Conforme a fabricante de airbags TRW, que atua no Brasil, em caso de acidente o airbag reduz 14% das mortes de condutores e 11% das mortes de passageiros do banco dianteiro. E os índices de prevenção contra lesões é ainda maior.

Número de mortes em acidentes por ano no País – 42 mil

Redução de 14% das mortes de condutores
Redução de 11% das mortes de passageiros do banco dianteiro
Redução de 85% dos danos de choque de cabeça contra o veículo
A combinação cinto + airbag salva ainda mais:
Redução de 59% do risco de lesões moderadas no tórax
Redução de 45% das lesões moderadas nos membros superiores

Muita confusão no caminho das compras

Publicação: domingo, 8 de fevereiro de 2009 - jornal Diário Popular

Problemas estruturais como a rede de esgoto e a fiação no Calçadão diminuem o brilho de um dos locais mais frequentados do centro da cidade


Mau cheiro, falta de espaço para circular em algumas quadras, piso irregular, caos na fiação exposta e sujeira, muita sujeira. Quem passa todo dia pelo Calçadão pode já ter se acostumado com os problemas, mas eles estão aí, atrapalhando lojistas, consumidores e turistas que visitam o centro comercial de Pelotas. A curto prazo, as modificações previstas pela prefeitura são paliativas. A longo prazo, um projeto de revitalização do trecho comercial da Andrade Neves, previsto desde 2006, deve começar a sair do papel no segundo semestre de 2009, e promete resolver de vez as queixas.

A sujeira espalhada pelo chão e o mau cheiro são os primeiros problemas apontados. “O cheiro de esgoto é impossível, e se sente sempre”, comenta o aposentado Carlos Alberto Borges, que frequenta o Calçadão diariamente. O odor, segundo a Secretaria de Urbanismo, vem das ligações irregulares do esgoto cloacal vindo das lojas na rede de esgoto pluvial, destinada ao escoamento de chuva.

O presidente do Sindilojas, Renzo Antonioli, soma a isso a sujeira que se acumula nos bueiros. “São verdadeiros depósitos de lixo e eu nunca vejo ser feito uma limpeza nos bueiros.” Ele alega que são despejados nas galerias até mesmo os dejetos dos alimentos vendidos por ambulantes. Já os papéis, embalagens e outros materiais jogados no chão não dependem apenas da limpeza contratada pela prefeitura. “Ninguém pode limpar durante 24h. A população às vezes não ajuda”, comenta Antonioli.

As bancas de vendedores ambulantes também são outro ponto de discórdia no centro da cidade. As áreas mais críticas são os trechos da Marechal Floriano entre o Calçadão e a General Osório, e da Andrade Neves, entre Marechal Floriano e Lobo da Costa. Com os ambulantes na calçada, o espaço para locomoção dos pedestres e a visualização das vitrines ficam prejudicadas. “Os camelôs deveriam descer para o camelódromo. Eles precisam trabalhar, mas não em cima da gente”, avalia a consumidora Fabiane Machado.

A idéia da prefeitura é fazer justamente isso. Mas para transferir as bancas que hoje estão no centro antes será necessário começar – e concluir – as obras de ampliação do camelódromo da praça Cypriano Barcellos. Enquanto isso não acontece, o plano da Secretaria de Urbanismo é reorganizar os ambulantes na Marechal Floriano. Conforme o secretário Luciano Oleiro, a faixa de estacionamento será transferida da esquerda, onde está, para a direita. As bancas irão descer da calçada para uma área reservada na faixa da direita, e o trânsito será deslocado para o outro lado. Na Andrade Neves, a idéia é deslocar as bancas em direção ao centro da via, para liberar o espaço para os pedestres.

Além de dificultar o fluxo, a presença dos camelôs é um problema para os lojistas, que têm as vitrines bloqueadas pelas bancas. Para ganhar atenção, os produtos das lojas acabam também na calçada, reduzindo ainda mais o espaço. “É uma concorrência desleal e uma situação provocadora. Eu não tenho como, hoje, pedir para um associado recolher os produtos. Quando as calçadas estiverem livres, se a prefeitura quiser nossa ajuda para isso, faremos com prazer”, afirma o presidente do Sindilojas.

Reforma do espaço custará R$ 2,5 milhões

Quem olhar para baixo verá remendos de cimento no lugar das lajotas quebradas; ao olhar para cima, postes apinhados de fios emaranhados poluem o visual. A solução definitiva para esses problemas deverá vir apenas com a realização de uma obra que pretende recuperar a estrutura do Calçadão. A reforma, orçada em R$2,5 milhões e com recursos que virão do Banco Mundial, deve começar no último trimestre de 2009, segundo a Unidade Gestora de Projetos (UGP), da Secretaria de Urbanismo. A reforma será bem-vinda não só pelos usuários, mas também pelos lojistas que, atualmente, têm as vendas prejudicadas pela situação do Calçadão, segundo Antonioli.

As mudanças começarão com o aterramento dos fios, que irão para o subsolo e eliminarão os postes atuais, os quais serão trocados por iluminação de praça. A rede de esgoto deve ser refeita, e as ligações de esgoto cloacal das lojas regularizadas, liberando o esgoto pluvial para sua função e eliminando o mau cheiro constante.

Em sequência, o piso deve ser todo refeito, sobre uma nova base, mais resistente para prevenir o desprendimento dos ladrilhos. Para finalizar, todo o mobiliário urbano (bancos, lixeiras etc.) será trocado, e os canteiros serão modificados a fim de melhorar a acessibilidade do local. Para que aconteça a mudança dos camelôs no novo espaço durante as obras, o assistente técnico da UGP Raul Odone explica que as duas obras, no camelódromo e no Calçadão, devem andar juntas, para que não haja conflitos. E o secretário de urbanismo alerta: se hoje a fiscalização age para que novos ambulantes não se instalem no Calçadão, no futuro a fiscalização irá trabalhar para impedir que outros tomem o local.

Tragédia xavante completa uma semana

Publicação: quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 – jornal Diário Popular

Viaduto da RS-471, onde ônibus com a delegação do Brasil capotou e resultou na morte de três integrantes da delegação, vira ponto de peregrinação de moradores e viajantes


Há uma semana do acidente que transformou em luto o preto do escudo Xavante, muitos dos que cruzam pelo viaduto de acesso da RS-471 à BR-392 param ou desviam seu caminho para ver as marcas deixadas pelo desastre. Perplexos com o cenário, viajantes e moradores das redondezas criticam a curva fechada e a sinalização do local, considerada adequada pelo Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens (Daer).

Quem vem da RS-471 em direção a Pelotas, como a delegação do Brasil naquela noite de quinta-feira, tem à frente um declive que leva à alça de acesso, no qual o condutor logo vê a placa que indica a redução de 80 para 60 km/h. Alguns metros depois, a placa de redução para 40 km/h - que devem ser respeitados para se contornar a curva sem problemas - marca a entrada no viaduto.

O morador do 3º Distrito de Piratini, Lumar Carvalho, que costuma passar pelo trecho, considera muito perigosa as duas curvas fechadas que se sucedem no declive de acesso à rodovia, especialmente em dias de chuva. "É praticamente um espiral. Se não vier bem devagarinho não faz a curva." A atenção com o limite de velocidade é ressaltada por todos que passam por lá. E não há quem não aposte no excesso de velocidade como a causa da perda de controle do ônibus.
Quem vive por perto e precisa passar pelo viaduto constantemente, como Genésia Alves, moradora da localidade de Paraíso, em Canguçu, gostaria de ver a cruva acentuada melhor sinalizada e a proteção da pista reforçada com muretas de concreto. "Seguidamente carros caem ali. Seria bom se daqui (antes de começar o declive que leva ao viaduto) placas já avisassem da curva."

A ação mais imediata a ser tomara pelo Daer, responsável pelo trecho, é a reconstituição da proteção destruída no acidente. A estrada é considerada pelo órgão em boas condições e bem sinalizada. Mesmo assim o trecho será avaliado pelo programa Duplica RS, do Governo do Estado, que deve fazer um levantamento sobre as condições de todas as interseções entre estradas gaúchas. O estudo determinará se modificações serão feitas.

A mobilização é de prata, a chance é de ouro

Publicação: domingo, 11 de janeiro de 2009 – Jornal Diário Popular


Cidade pouco se prepara para receber, em uma semana, os 2,3 mil vestibulandos da UFPel e suas famílias de outros municípios


Depois de uma maratona de vestibulares – só em janeiro já foram oito dias de provas entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) –, o estudante Gustavo Sicco, 19 anos, candidato ao curso de Medicina, vem a Pelotas para as últimas provas dos sete vestibulares para os quais se inscreveu e presta desde novembro. Natural de Jaguarão, o estudante que há dois anos se prepara em Porto Alegre para entrar na universidade é um dos pelo menos 2,3 mil vestibulandos (20% do total de concorrentes, segundo estimativas) que devem vir de outras cidades tentar uma vaga na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) dias 17 e 18. Apesar desta intensa mobilização que o município irá registrar dentro de uma semana, o clima de férias reinante na cidade há poucos dias das provas ajuda a reforçar a falta de preparativos especiais para receber os visitantes que vêm, sozinhos ou acompanhados, de todo o País. Estudantes de fora que, em poucos meses, podem ser novos moradores e consumidores locais.

O volume é expressivo, tanto que 90% da rede hoteleira já está reservada e a ocupação deve chegar a 100% no dia dos exames, segundo estimativa do Sindicatos dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (SHBRS). Essa ocupação, conforme o diretor do SHBRS, Eduardo Curi Hallal, se compara aos fins de semana da Fenadoce. “O vestibular fora de dezembro vai recuperar as perdas de janeiro e melhorar a ocupação, que caiu 30% em relação a 2008 por causa do câmbio desfavorável”.

A alta temporada de provas para os hotéis também tem reflexo no comércio. As compras feitas pelos estudantes e o tempo livre de seus acompanhantes para conhecer a cidade e visitar o comércio é outro indicador da importância turística e econômica do envento. Pela experiência em anos anteriores, o presidente do Sindilojas, Renzo Antonioli, acredita em um acréscimo do movimento no sábado pela manhã, período durante o processo seletivo em que as lojas estarão abertas.

Mesmo com o aumento no movimento, Antonioli não vê Pelotas se preparar para receber novos consumidores em potencial. “Poderia haver uma integração muito maior entre Universidade, comércio, hotéis, restaurantes e turismo. Falamos nisso há muito tempo, mas não agimos”, lamenta.

E a união dos potenciais de comércio, serviços e turismo que poderia não só oferecer uma boa estada, mas também conquistar futuros clientes e moradores, segue desarticulada.

Ideia errada de recepção natural

O diretor do Centro Especializado em Seleção (CES) da UFPel, Cláudio Duarte, informa que nenhuma estratégia especial, além da organização das provas, é desenvolvida para receber os estudantes que vêm de outras localidades para o Vestibular 2009, o maior em número de vagas e procura dos últimos anos. O motivo: acreditar que não é necessário.

A justificativa é o porte médio da cidade que, por si só, ofereceria todas as informações e os serviços importantes aos vestibulandos. “A universidade não passa informações diretamente, apenas pelo site”.

Na página oficial do vestibular, além dos dados essenciais ao concurso, como edital e consultas individuais, somente a divulgação das hospedagens alternativas – em pensionatos e residências interessadas em receber estudantes – é feita. Nenhuma informação sobre a cidade está disponível para o futuro universitário da cidade. “Acredito que a prefeitura irá preparar [uma estratégia especial]”, diz Duarte.

Já na Prefeitura, os esforços de Turismo estão voltados para as praias e o veraneio, e o serviço de informações turísticas receberá os estudantes da mesma forma que trabalha durante todo o ano. Na Rodoviária, grande terminal de chegada desse grupo, o posto oferece materiais gráficos com mapas e informações sobre Pelotas. “Não cabe à Prefeitura articular estratégias para o vestibular, e sim à UFPel. Nós vamos preparar a cidade, mas não diretamente para as provas. A estrutura de serviços é a que já existe”, explica o secretário de Comunicação Luiz Carlos Freitas.

A única atenção necessária por parte da prefeitura diz respeito ao transporte. Na semana da prova a Secretaria de Segurança, Transporte e Trânsito irá solicitar às empresas de ônibus que aumentem a frota para atender os horários de deslocamento para a prova, próximo às 8h. “Mas pelo que vimos em anos anteriores, o que já fazemos atende as necessidades do dia”, afirma o secretário Jacques Reydams.

Falta mais articulação

Como nenhum incidente decorrente do fluxo de visitantes nos dias de vestibular costuma ser registrado, fica a impressão de que Pelotas atende todas as necessidades dos vestibulandos. Contudo, para o SHBRS e para o Sindilojas, a movimentação da cadeia turística com o vestibular poderia ser muito maior.

“Saber as datas com antecedência é o ponto de partida para a integração e para a ação”, afirma Antonioli. Com uma articulação feita com, no mínimo, dois ou três meses de antecedência, talvez fosse possível manter o comércio aberto no sábado do processo seletivo e promoções poderiam ser feitas.

Algumas idéias sugeridas pelo presidente do Sindilojas seriam parcerias entre hotéis e comércio ou comércio e restaurantes para oferecer descontos, bem como colocar à disposição nos locais de prova pessoas que oferecessem orientações de lazer e de compras ou vans para transporte dos acompanhantes a pontos turísticos e comércio central. “Temos de tornar tudo mais profissional.”

Mesmas datas

A integração e a divulgação de datas é uma necessidade para todos os setores envolvidos no turismo. “Um problema é a sobreposição de eventos em um mesmo fim de semana, como o vestibular no mesmo fim de semana que a formatura da Medicina, ocorrido em outros anos. São duas datas com boa ocupação que, juntas, causam falta de vagas”, comenta o diretor da SHBRS. Para ele, um calendário de eventos unificado para o município ajudaria na organização e potencializaria os ganhos.


O que dizem


“Faz-se necessário para um futuro próximo estar integrado e criar um calendário de eventos e uma programação”. Renzo Antonioli, presidente do Sindilojas


“Ficamos no aguardo de que saia a data das provas para podermos nos organizar”. Eduardo Curi Hallal, diretor do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares


“Não cabe à prefeitura articular estratégias para o vestibular e sim à UFPel. Nós vamos preparar a cidade, mas não diretamente para as provas. A estrutura de serviços é a que já existe.” Luiz Carlos Freitas, secretário de Comunicação